A história começou na década de 40 quando o carrozzieri italiano Oliviero Monarca desembarcou no Brasil. Junto com as esperanças trazia o talento para transformar aço em obras de arte. E dessa forma abriu sua oficina no bairro do Bixiga e começou a chamar a atenção com alguns projetos diferentes.

 

Minicarro com carroceria de alumínio e motor estacionário, de 1954,
uma das primeiras criações da oficina Monarca.

 

 

 

Mais um minicarro Monarca, aqui sendo testado pelo presidente Juscelino Kubitschek.

 

 

Simca Sport, construído em 1954 para o piloto Celso Lara Barberis; nele teve participação Toni Bianco (fonte: Revista de Automóveis). 

 

 

Porsche Spider Monarca: ganhou prêmio de originalidade na Exposição do IV Centenário de SP (fonte: Revista de Automóveis). 

 

Oficina de mecânica e lanternagem criada em 1954 no bairro do Bexiga, em São Paulo (SP), pelo italiano Oliviero Monarca, imigrado um ano antes de sua cidade natal Assisi. No estabelecimento, de nome Carrocerias Monarca Ltda., Oliviero e seu irmão Mario passaram a construir carrocerias de automóveis sob encomenda, todas diferentes entre si, com estilo, características técnicas e detalhes de acabamento exclusivos. Ao gosto do cliente, as criações da dupla oscilavam entre linhas puras, emulando carros esportivos europeus, e carrocerias carregadas de cromados e formas futuristas, beirando o mau gosto.
Os foras-de-série fizeram bastante sucesso no mercado nacional entre os anos 70 e 80. Modelos da Puma, a mais bem-sucedida delas, e outros como MP Lafer, Bianco e Santa Matilde, só para citar alguns carros clássicos, fizeram muita gente sonhar naquele período. E sonho no sentido literal, já que custavam bem caro.
Dois carros podem caracterizar a primeira categoria: o spider construído sobre chassi francês Simca para o piloto Celso Lara Barberis, que então iniciava sua carreira de sucesso, e o Porsche, também de dois lugares, com o qual Oliviero ganhou o prêmio de originalidade na Exposição do IV Centenário de São Paulo. Apesar destes, e de mais um ou dois mini-carros sem portas e com motor estacionário, a produção da oficina se concentrou nos modelos mais extravagantes, geralmente tomando grandes automóveis norte-americanos como base.
A construção era artesanal, as formas da carroceria obtidas em arame e cada chapa moldada a martelo. Foi na Monarca, onde foi trabalhar em 1954, que Toni Bianco, aos 23 anos de idade, aprendeu a construir automóveis. Acredita-se que a oficina tenha produzido mais de duas dezenas de carros exclusivos.

Modelo restaurado e apresentado

O Monarca, ao contrário dos outros foras-de-série citados no primeiro parágrafo, podia ser criado a partir de qualquer modelo. Tanto que quando olhamos as revistas de época podemos notar que entre os dez exemplares produzidos havia modelos distintos como Cadillac e Lancia.
O exemplar da matéria – e único sobrevivente – teve como base o Porsche 356 A. Nesse sentido vale notar alguns traços da carroceria, vincos no capô, para-brisa e detalhes do interior que remetem ao modelo alemão. O trabalho contou, na época, com o talento de Toni Bianco, outro jovem italiano.

 

A restauração do modelo levou nada menos do que oito anos. Folhetos de época, matérias de revista, folders e histórias contadas de boca em boca foram as referências que Alexandre usou para chegar ao resultado final. Ele usa provisoriamente um motor a ar da Volkswagen, mas deve receber um propulsor da Porsche em breve, idêntico ao que o equipava originalmente.
O modelo segue o padrão dos roadsters e carros clássicos da época, além de trazer o estilo do 356 na condução e posição de dirigir. O motor, mais forte que o original, tem trabalho por causa do peso mas cumpre seu papel com eficiência. Guiar o Monarca é uma experiência única, literalmente falando. Fonte: Carros – iG e lexicarbrasil