Chama foi acesa em galpão em São Sepé, na Região Central do estado. Centelha simboliza as comemorações
da Semana Farroupilha.

A chama que simboliza as comemorações da Semana Farroupilha no mês de setembro também se funde à identidade gaúcha. No interior do Rio Grande do Sul, um fogo de chão aceso em um galpão de uma fazenda se mantém aceso há mais de 200 anos, como mostra a reportagem do Teledomingo.
Na Fazenda Boqueirão, em São Sepé, na Região Central e a cerca de 300 quilômetros de Porto Alegre, vive a família Simões Pires, que tem raízes e presença na história do estado desde o século 18. É terreno deles que se mantém intacto o galpão onde o fogo foi aceso pela primeira vez. O espaço se torna quase um ponto turístico.
“A gente associa à época que o galpão foi construído, que foi no inicio de 1800. Então, provavelmente, desde essa época que existe o fogo”, afirma Gilda Simões Pires, proprietária das terras. Muitos membros da família foram ligados à politica de São Sepé e ajudaram a elaborar um pouco da história do estado.
Preservada do calor, a cadeira usada por David Canabarro é relíquia. Na casa, há uma réplica, já que a original foi doada para o museu da cidade. “A gente sempre pergunta para as pessoas de uma maneira ou outra o que sentiu aqui dentro do galpão, e principalmente pessoas que têm suas raízes no interior do estado dizem que sentem alguma coisa muito emocionante. É voltar no tempo”, completa.
Além do passado, o fogo também simboliza o futuro. Com a proximidade do dia 20 de setembro, os cavaleiros repetem as cavalgadas em busca da Chama Crioula, uma tradição que começou em 1947, quando até então o fogo era símbolo apenas da pátria.
“O MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) se apropria dessa questão do fogo, dá mais ênfase para o fogo simbólico, do civismo, da nação, do patriotismo. Esse fogo que, como na Grécia antiga, fogo olímpico que percorria os diversos lugares, então percorre as diversas cidades do Rio Grande do Sul, para integrá-las na cultura rio-grandense, com a Chama Crioula”, avalia o professor de história da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Júlio Ricardo Quevedo.
Em agosto, a centelha foi levada a cada uma das 30 regiões tradicionalistas espalhadas pelo Rio Grande do Sul. Neste ano, a Chama Crioula saiu de Cruz Alta, no Noroeste do estado, no dia 16 do mês passado. Ao todo, foram mais de 400 quilômetros rodados até chegar a Porto Alegre, em uma viagem a cavalo pelo estado que durou oito dias. (fonte: G1)