Foto capa: Carro fúnebre exclusivo para crianças e mulheres virgens

O Museu da Tecnologia da ULBRA foi um museu brasileiro, localizado em Canoas, no Rio Grande do Sul. O museu de carros antigos que desapareceu, os carros leiloados toraram rumos diferentes.

Construído nas instalações da Ulbra, numa área de 9.346 m², o Museu da Tecnologia foi preparado para ser o maior do gênero na América Latina e um dos maiores do mundo em quantidade e diversidade de acervo.Devido a dívidas da universidade com o governo, no entanto, foi forçado a fechar as portas em 2009, tendo seu acervo leiloado por decisão da justiça. Hoje, o prédio abriga os estúdios da Ulbra TV.
O Museu do Automóvel, como era conhecido, era a alma do Museu da Tecnologia. Era o maior do Brasil e um dos maiores do mundo, contando com um acervo de mais de 270 veículos (carros, utilitários e motos) que iam desde os mais antigos automóveis (Oldsmobile 1904) até modelos mais recentes (como um protótipo do Chevrolet Astra 1999).
Em exposição estavam raridades como Rolls-Royce, Mercedes-Benz, BMW, Cadillac, Jaguar e Maserati, juntamente com veículos que foram verdadeiros marcos da história da indústria automobilística mundial e nacional, como Chevrolet, Ford, Volkswagen, Fiat, Renault, entre outras igualmente importantes.

O museu contava ainda com uma área de seis mil metros quadrados para a reserva técnica de veículos e oficinas de restauro. O acervo de veículos a recuperar era de cerca de 350 unidades, das mais variadas marcas e modelos. A intenção do museu era estar intimamente ligada aos cursos da universidade, pretendendo formar profissionais das áreas voltadas a museologia.

O triste fim do Museu da Ulbra

Um dos maiores pesadelos dos aficionados do antigomobilismo brasileiro tornou-se realidade em 2009: a preciosa coleção de carros antigos do Museu de Tecnologia da Ulbra, em Canoas, no Rio Grande do Sul, acabou retalhada e levada a leilão.
Um acordo entre a Comunidade Evangélica Luterana São Paulo (Celsp), mantenedora da Ulbra à época, a Fazenda Nacional e a Justiça Federal selou irremediavelmente o destino do fantástico museu gaúcho. Antes mesmo do primeiro leilão, a General Motors já havia recolhido 70 veículos que cedia à Universidade em regime de comodato. Foi o começo do fim.
Sim, as dívidas de mais de R$ 1 bilhão deixadas pela desastrada direção anterior da Universidade tinham de ser pagas. Tributos tinham de ser recolhidos aos cofres públicos. Professores tinham de receber salários. Alunos não podiam ficar sem aulas. Mas o fatiamento do acervo do Museu da Ulbra foi mais uma brutal demonstração do descaso da sociedade brasileira para com um patrimônio de grande valor histórico e cultural.
As jóias sobre rodas que podiam ser democraticamente admiradas por todos estão hoje guardadas a sete chaves em garagens particulares e são desfrutadas por meia dúzia de privilegiados que puderam pagar, por exemplo, R$ 250 mil por um Rolls Royce Limousine 1956 – uma das peças mais vistosas da coleção.
Com um acervo de mais de 270 veículos clássicos construídos a partir de 1904 (sem contar outros tantos em suas oficinas de restauração), instalado em um belíssimo prédio de aço e vidro de 9.346 m2 no campus de Canoas, o Museu da Ulbra chegou a ser considerado por especialistas um dos dez melhores do gênero no mundo. Era, seguramente, o melhor da América Latina. Um patrimônio da indústria automobilística mundial. Não poderia ter sido responsabilizado pela crise que abalou a Universidade. Nem merecia ser esquartejado para pagamento de dívidas. A Universidade e seus antigos gestores possuíam bens imóveis mais valiosos, e o montante apurado com os leilões quitou uma ínfima parcela da dívida.
O Brasil é carente de museus que preservam a história da tecnologia. Com o triste fim do Museu de Tecnologia da Ulbra, ficou ainda mais pobre.

    

Fonte, Wikipédia, IRINEU GUARNIER – Jornal dos Clássicos.
Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.