Nesta faixa de seis milhas na Índia, nós podemos escolher entre cemitério, ou crematórios. Navios não têm escolha…

Se você está planejando suas próximas férias, provavelmente não encontrará as cidade de Alang, ou Chittagong em nenhum guia de viagem. Você pode nem encontrá-las no mapa. A faixa desolada de areia em Alang, de seis milhas, já foi uma das mais pobres da Índia. Mas, nos últimos anos, esse pedaço do litoral no estado de Gurajat se tornou o maior pátio de desmanche de navios do mundo.
(Por João Lara Mesquita – Estadão – (Foto: dailymail.co.uk))


Desmanche de navios em Alang

Buraco do inferno

Trabalhadores em Desmanche de navios em Alang
Milhares de jovens desafortunados, mas capazes, perderam a vida fazendo um trabalho de última hora em uma das condições de trabalho mais perigosas do mundo.” Foto: dailymail.co.uk

Para o dailymail.co.uk, “este é o maior cemitério de navios do mundo – onde enormes petroleiros e navios de cruzeiro são desmantelados à beira-mar por equipes de trabalhadores que usam pouco mais que ferramentas manuais. O trabalho é considerado um dos mais perigosos do mundo, com trabalhadores ganhando uma ninharia de apenas 2,25 libras por dia. Mas, surpreendentemente, não há escassez de recrutas dispostos.”

Alang no passado recente…
A forbesindia.com, diz que “Alang, situada a 50 km da cidade de Bhavnagar, fica de frente ao Golfo de Khambhat. É pontilhada de navios de todos os tamanhos, agredidos de todas as formas. Petroleiros, navios de contêiner e até navios de cruzeiro aguardam para serem reduzidos a sucata. O estaleiro tornou-se operacional em 1983, quando o governo do estado o concebeu para criar empregos em massa para trabalhadores pouco qualificados. Em matéria de 2012, Erik Azevedo escreveu no site navalunivali.wordpress.com: “Uma reportagem investigativa, feita por uma equipe da TV portuguesa, viajou até a Índia e Paquistão, e mostra toda a verdade que tentam esconder. Aqui é proibido fotografar ou filmar – diz um agente de segurança numa praia tomada de cascos e restos de navios em Alang Índia, a equipe é convidada a se retirar do local, visitantes não são bem vindos nestes locais.” A vergonha era grande…

Foto: dailymail.co.uk

Os pátios da Alang têm capacidade para destroçar 450 navios por ano.” E, acrescenta o forbesindia.com: “Mas as demandas globais por práticas de negócios sustentáveis ​​nos setores ganham volume. Alguns proprietários de navios e recicladores estão determinados a consertar a imagem notória da Alang e posicioná-la como um centro global para a reciclagem responsável de navios.

…e Alang hoje…
Parece que o esforço trouxe resultados. Matéria do site businesstoday.in, de abril de 2017, informa como as coisas mudaram: “Trabalhadores e seus supervisores no maior estaleiro naval do mundo, em Alang, estão ocupados.

Para quem já viu este cemitério de navios uma década atrás com sua infraestrutura precária, imundície, trabalhadores não qualificados usando cortadores de gás, praias negras contaminadas por petróleo e montes de sucata e aço, a nova Alang certamente será uma surpresa.
“Quase todos os trabalhadores usam capacetes, jaquetas de segurança e botas. A maioria dos pátios tem plataformas limpas e cimentadas. Aços quebrados, computadores e enormes peças de motor são armazenados adequadamente em instalações limpas de armazenamento temporário. Mesmo metade dos navios abandonados exibem sinais de aviso, com fitas vermelhas para os trabalhadores em serviço. “Amanhã uma equipe do Japão está vindo para a inspeção de certificação de qualidade do nosso quintal”, explica um supervisor em um dos estaleiros.”

Até o nosso Minas Gerais acabou em Alang
O fim de um navio é sempre algo mórbido e triste. Navios têm alma, passaram suas vidas prestando serviços. Não é uma decisão fácil decretar a morte de um deles. Mas, todos os anos, milhares têm que ter um fim. Onde e como? Eis a questão. Como outras atividades, a mineração por exemplo, elas são importantes; mas sempre causam enorme impacto ambiental, sem falar na questão do fim em si. Assim aconteceu com nosso Minas Gerais, o porta- aviões que, primeiro de uma Marinha latino-americana, um dia foi nossa garbosa nau capitânia.

Frota mundial de navios
Se você achou de mau gosto a comparação entre cemitério, ou crematórios, é porque se esquece de que somos hoje quase 8 bilhões de pessoas no mundo. Onde achar um lugar para cada corpo no futuro? Nossa sociedade mudou, não nos resta opção, a não ser mudarmos também. O mesmo acontece com navios, cuja frota mundial é estimada em cem mil embarcações. Oxalá todos os cemitérios de navios passem pela transformação de Alang já que a vida útil de um navio de carga é de cerca de entre 25 e 30 anos. Por ano cerca de 600 a 700 navios são eliminados. “Os grandes armadores (donos dos navios) utilizam o sul da Ásia porque para eles é muito lucrativo pela mão de obra ser barata e fragilizada pelas frouxas leis trabalhistas”, diz o site http://www.portosmercados.com.br. O próximo da lista deveria ser o de Chittagong, Bangladesh que, segundo o http://www.planobrazil.com, “suplantou o de Alang ano passado. Eles cortaram nada menos que 225 navios (média de 0,61 navio ao dia), produzindo 2,3 milhões de toneladas de sucata.” Outro site, o http://www.portosmercados.com.br, acrescenta: “É uma indústria euro multimilionária, que emprega cerca de 200 mil trabalhadores no país.”